Eu percebi o quão poderosamente transformador o sistema de Human Design é assim que me deparei com ele. Observei que a maioria das pessoas abertas a aceita-lo também sentiram - desde o primeiro contato - a mesma admiração e entusiasmo com os princípios e implicações do sistema. Aprendi rapidamente que o Human Design combina engenhosamente elementos de tradições antigas com princípios de disciplinas científicas modernas. Antes de ter a chance de aprofundar sua estrutura, fiquei  impressionada com a precisão e a sutileza, o escopo e a profundidade da leitura que ela fornece. De modo promissor, o sistema estimula a consciência para entender a frequência e definição eletromagnética, genética, energética, como aspectos essenciais do "desenho humano" de alguém.

O esquema gráfico do Human Design resultante do cálculo da data, hora e local de nascimento é um “gráfico corporal”. Na representação do corpo, existem nove centros energéticos na cabeça e em todo o tronco, 64 canais ligando os centros energéticos, cada centro energético com um número de portais que varia entre 11 e 4. A definição energética é representada por centros coloridos, naturalmente ativos, pelos qual você influenciará seu ambiente; por outro lado, os centros sem cor são ativados por influências do ambiente, sejam os trânsitos do dia ou outros ao redor. “A definição revela quem você é e permanece consistente ao longo da sua vida. Sua abertura é onde você é suscetível ao condicionamento e pode resultar no que o Human Design chama de Não-Eu”.

A autoridade é um princípio do Human Design que se aplica à hierarquia dos centros de energia, pois têm um impacto de importância diferente: a garganta e os centros emocionais são os mais influentes, seguidos pelos centros sacral, esplênico, raiz e centros da cabeça. Por exemplo, um centro emocional definido (mais sobre este tópico abaixo) implica uma autoridade emocional, o que significa que você precisa esperar o ponto neutro da onda para saber o que realmente sente e, independentemente de outros centros definidos, isso será a principal autoridade dentro de sua mecânica energética.

Na representação do gráfico corporal, à esquerda há uma lista vermelha de canais e planetas correspondentes ao design, que é definido pela energia e trânsito dos planetas 88 dias antes do nascimento, que “mostram a natureza do seu inconsciente”: “A inteligência do seu corpo está abaixo do nível da sua consciência e, portanto, você não necessariamente tem acesso a ela, embora faça parte igualmente importante da sua identidade. Essa inteligência se expressa através de certas características, e outras pessoas podem vê-las com muito mais clareza do que você, porque você não está consciente delas”. No lado direito, uma lista negra de canais e planetas correspondentes à personalidade, à energia e ao trânsito dos planetas no momento do nascimento: “Essas características são aquelas que você reconhecerá, pois são o que você tem acesso consciente e, portanto, com que pode se relacionar. Como você se identifica conscientemente com essas características, pensa na sua personalidade como uma representação de quem você é”.

Juntamente com a simbologia planetária da astrologia ocidental, o sistema energético dos chakras do Yoga e a simbologia do Sephirot da Kabballah, o sistema de Human Design incorpora notavelmente a física quântica através da noção de neutrinos, um tecido energético essencial em nosso universo que atravessa permanentemente a matéria em diferentes tipos de ondas. A percepção da progressão constante das ondas de neutrinos é atribuída ao funcionamento de um dos nove centros energéticos, o centro emocional que, de acordo com o Human Design, é o mais recente avanço genético no corpo humano, sensível aos diferentes comportamentos das ondas de neutrinos, provocando estados emocionais.

O Human Design também incorpora a simbologia das frases de adivinhação do I'Ching, combinando-as com a genética. O I’Ching e a genética compartilham o princípio básico do uso de um sistema quaternário de números, quatro bases de DNA e RNA e quatro diagramas no I’Ching. Ambos os sistemas têm 64 combinações, códons genéticos de base tripla, e hexagramas para o I'Ching. A organização do Human Design em 64 canais energéticos deriva dessa associação entre genética e I'Ching. Cada portal em cada centro de energia do Desenho Humano tem 6 linhas, correspondendo às 6 linhas do hexagrama I'Ching. Cada canal é ativo através de linhas específicas desses portais. As linhas, de 1 a 6, referem-se a um modo inerente, específico, de apropriação, vivência ou engajamento do poder do canal, importante para a identificação do perfil que se espera que alguém atinja plenamente.

O Human Design refere 4 tipos essenciais: Manifestadores, 7% da população, cuja estratégia é informar e iniciar; Geradores, 64% da população, cuja estratégia é esperar e responder; Projetores, 24%, cuja estratégia é aguardar convite, e Refletores, 3%, cuja estratégia é seguir o ciclo da Lua. Esses tipos são definidos de acordo com ativações específicas, por exemplo, os Manifestadores têm o centro da garganta definido, o centro sacral aberto e pelo menos um canal que conecta a garganta a um centro motor. Os Projetores são um tipo mais recente, existente somente desde 1781: têm um centro sacral aberto e podem ter um ou mais centros motores definidos. Os Refletores têm todos os seus centros de energia abertos.

Ao processar os inputs recebidos do Human Design, tornei-me gradualmente mais consciente do meu próprio funcionamento. Percebi por que estava errada ao tomar iniciativa ao longo de mais de quatro décadas de vida, quando meu "tipo" indicava que eu deveria "esperar e responder", caso contrário, enfrentaria oposição, antagonismo ou resistência. Também entendi por que sempre senti que estava longe de minha realização pessoal, com uma certeza íntima de que era alguém de “sucesso tardio”, quando aprendi que meu “perfil” tem ciclos ao longo da vida, os primeiros 30 anos em 'tentativa e erro', depois 20 anos de ‘distanciamento’, para finalmente depois dos 50, engajar conscientemente minha energia...

Também aprendi que minha "autoridade" era emocional, sensível às ondas de neutrinos e seus vários contornos, tendo uma impressão eufórica quando as ondas atingiam o pico, uma melancólica quando na parte baixa da onda e precisava esperar pelo ponto neutro da onda para ter uma visão mais objetiva da realidade. Para a minha definição energética, resistir ao impulso coletivo de ser pró-ativo e decisive, e atender à necessidade de esperar antes de responder foi o grande desafio, mas também essencial para me lançar em uma maneira radicalmente diferente de ser, atenta aos automatismos, condicionamentos, compulsões, bem como aos meios de evitá-los ou transmutá-los, tanto em mim quanto nos outros. Tendo passado a maior parte da minha vida pesquisando e trabalhando em autoconhecimento, pude apreciar a grande contribuição que o Human Design oferece.

O sistema foi canalizado por Ra Uru Hu, nascido Alan Robert Krakower. O bacharel em artes, intérprete e compositor canadense, mais tarde executivo de publicidade, editor e produtor de mídia, acabou se estabelecendo em Ibiza em 1983. Em 1987, ele teve uma experiência mística incomum seguida de um encontro com o que chamou A Voz, uma inteligência muito superior a qualquer coisa que ele já tinha experienciado. Esse encontro durou oito dias e noites, durante os quais ele recebeu uma transmissão de informações - hoje conhecida como sistema de Human Design. Em 1989, Ra Uru Hu escreveu o Rave I'Ching, a base sobre a qual o Human Design se baseia e a chave para desbloquear o código de nossa genética. Ra dedicou os 25 anos seguintes de sua vida ao desenvolvimento e ensino do sistema em todo o mundo, tendo falecido em Ibiza em março de 2011. Como Manifestador - com a garganta definida - ele expôs em palestras, aulas e diferentes apresentações o núcleo do que é a teoria do Human Design em vários áudios que foram transcritos posteriormente.